quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

50 tons que passarão e outros que perdurarão

50 tons de cinza

50 tons que passarão e outros que perdurarão

Confesso com profunda sinceridade, que não queria escrever absolutamente nada sobre essa onda dos 50 tons de...
Aliás, acho que não vou continuar.........mas...notícias recentes me impelem a deixar uma mensagem. Então vamos lá. 

Ao ler essa semana que jovens estão algemando suas namoradas e espancando-as tendo o tal livro como o guru do prazer e que o número de incidentes com brinquedos sexuais aumentou exponencialmente após a publicação do livro, joguei na minha mente o seguinte pensamento: O que fazemos para atingir a satisfação do corpo? O que fazemos para atingir a satisfação da alma?

Uma multidão de pessoas se joga na seguinte reflexão: “o que está faltando para dar mais prazer à pessoa que gosto?”.
Doe a quem doer o que vou dizer (principalmente os fãs da obra citada), está faltando “Amadurecimento da Alma”.
Alguém pode pensar: “lá vem mais um careta...”. Sim, sou careta! Se meu conceito de ‘prazer’ é preencher a vida de alguém com valores que jamais o tempo irá gastar, sou um tremendo de um careta.
Se o tradicional pode cair na rotina, as peripécias criativas e perigosas na obtenção do prazer do corpo, também cairão na rotina.
O chicote se “romperá” com o tempo.
As algemas irão “enferrujar-se” com os anos.
Entendam aqui que “romper” e “enferrujar”, são ideias de fragilidade, do que não se pode sustentar por muito tempo.
As pessoas são livres para viver suas fantasias, no entanto, ante a atual evolução moral que a sociedade apresenta, penso que uma grande parte permitirá ser conduzida por caminhos perigosos. É como no mundo biológico, quando determinados fatores estimulam a formação de células cancerígenas. Um exemplo que saiu recentemente em vários canais de notícia, é o caso de um estudante de Chicago, que amarrou uma jovem, e surrou-a com seu cinto. A moça pediu que parasse, pois estava sentindo muitas dores, mas ele não parou. Ao ser questionado pela polícia, ele confessou que apenas estava repetindo as cenas do filme.

Alguns ainda chegam a dizer: “Ahhh, mas muitas mulheres são submissas!”. Isso é um absurdo! Existem sim, mulheres que necessitam de homens com a maturidade suficiente para ajudá-las a se valorizarem e reconquistar sua autoestima.

Enquanto a mente precisar desesperadamente do prazer do corpo, teremos uma humanidade escravizada pela ilusão.
Irão procurar novos brinquedos, novas técnicas, e quando menos perceber a mente estará “algemada” em um buraco negro vicioso de um falso prazer, sofrendo o dilaceramento que o “chicote” do desejo insaciável não perdoa.

Se para arrancar um suspiro profundo da pessoa que gosto, necessita-se estimular eroticamente os sentidos do seu corpo, o que será dos gestos simples, belos e pequenos do dia-dia, que possuem mais de um milhão de tons? Verdadeiros gestos que geram prazer. Um prazer que só é interpretado quando não há tanto “cinza” na vida. Prazer cujo eco percorrerá gerações e gerações. Gestos simples que constroem valores. O corpo não conhece isso. O gesto do Amor.

Certo casal, adepto do sadomasoquismo, no dia seguinte, concluíram: “Ontem foi um dos melhores momentos entre nós, pois a noite foi fantástica!”.
À noite??? O melhor momento do dia anterior foi quando o corpo foi levado ao extremo prazer?
Será que vivemos uma sociedade que o corpo está determinando a felicidade?
O dia pode ter sido um caos. Não há mais refeições juntos ou em família. Brigas constantes. Filhos carentes. Mas se a noite, a cama virou um tipo de “circo du soleil” do sexo, então está tudo bem!?
Não, não está bem! Milhões de casas e relacionamentos são palcos de um tipo de teatro, onde o foco foi dado com tanta força para obtenção da satisfação material e do corpo, que como a areia escorrendo pelos dedos, os valores que eternizam o verdadeiro sentido da existência e da convivência estão sendo corroídos.

Mas há esperança. Quando vejo gestos de quem é um gigante da alma. Um gigante pequeno, quando a simplicidade e a beleza espiritual vivem em seus atos.

O gesto do silêncio para o outro falar.
O gesto da paciência quando é preciso esperar.
O gesto da compreensão quando é preciso não julgar.
O gesto da suavidade quando é preciso não magoar.
O gesto da fidelidade quando é preciso perdurar.
O gesto da verdade quando é preciso confiar.

O gesto do perdão para continuar a amar.

Está aí meus queridos leitores os milhões de tons coloridos, livres, sem algemas, com direito a suspiros para toda a vida.

Palestrante Thiago Muniz | www.thiagomuniz.com.br | 2015